Crise

Transporte coletivo já fez mais de cem demissões

Desligamentos são consequência da pandemia, que provocou redução no número de passageiros

Carlos Queiroz -

As dificuldades que há muito acompanham o Consórcio do Transporte Coletivo de Pelotas (CTCP), neste ano, ficaram ainda mais graves. A baixa considerável de passageiros é uma constante desde março, quando o novo coronavírus se instalou na cidade. Assim, as demissões viraram uma realidade e mais de cem pessoas perderam seus postos de trabalho. Uma esperança em meio à crise é o projeto de lei do auxílio aos serviços de transporte, recentemente aprovado pela Câmara dos Deputados

O endividamento, por consequência, cresceu. Por mês, o déficit é de R$ 4 milhões, diz o diretor-presidente do CTCP, Enoc Guimarães. “Mesmo com as possibilidades de negociação, tudo é finito. Estamos com muitas dificuldades”, frisa. Na última semana, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que tem como objetivo subsidiar um auxílio federal de R$ 4 bilhões para estados e municípios com mais de 200 mil habitantes, para que mantenham os serviços de transporte urbano e semiurbano na pandemia.

Caso a proposta seja aprovada pelo Senado e tenha sanção presidencial, a divisão dos recursos será de 30% aos estados e o restante aos municípios. Pelotas pode receber cerca de R$ 10 milhões, parcela que representará um alívio às contas do Consórcio.

A Secretaria Municipal de Transporte e Trânsito (SMTT), no entanto, não possui uma estimativa de quanto o Poder Público municipal poderá receber. Os recursos devem ser aplicados de forma proporcional ao número de passageiros transportados por empresa. Na prática, a prefeitura comprará uma parte das passagens para disponibilizar os créditos a uma parcela dos passageiros. “É uma boa iniciativa, apesar de ser um paliativo, algo precisa ser feito. É uma forma de injetar clientes no transporte coletivo”, explica o titular da pasta, Flávio Al Alam.

Desde maio, o número de passageiros do transporte coletivo estagnou. No último ano, a média de viajantes era de cem mil por dia. Em março, o número despencou para 17 mil e atualmente fica entre 20 mil e 33 mil usuários diários. Conforme explica Guimarães, picos de pouco mais de 33 mil pessoas ocorrem nos primeiros e nos últimos dias do mês, em função do pagamento de contas. “Acreditamos que as pessoas estão preferindo usar outros meios de locomoção. Porque as ruas seguem cheias, o comércio está aberto então há uma movimentação diária”, afirma.

Diariamente, cerca de 33 mil pessoas utilizam os ônibus, o que representa 30% dos passageiros que anteriormente usavam o serviço. Apenas 40% da frota dos veículos tem circulado pelas ruas e avenidas da cidade - de mais de 200, 70 ônibus estão em circulação.

Demissões podem continuar

Em abril, uma parcela dos trabalhadores do Consórcio assinou o contrato de redução das jornadas; a previsão do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário era que quando o acordo chegasse ao fim, em agosto, uma série de demissões poderia ocorrer. De fato, uma parte dos funcionários perdeu seus empregos. De acordo com os números do próprio consórcio, cem postos de trabalho foram fechados.

O presidente do Sindicato, Claudiomiro Amaral acredita que uma parcela dos desligamentos é referente aos funcionários com menos de um ano de casa. Isso porque, depois desse período, as demissões são contabilizadas no sistema da entidade. Caso a situação não melhore, o Consórcio acredita que novas demissões possam ocorrer.

Todos os anos, as discussões do dissídio coletivo da categoria ocorre em outubro. Pouco mais de um mês antes disso, ainda não há qualquer tipo de previsão de como a categoria irá se movimentar em 2020. Historicamente, o mês de novembro é marcado por paralisações e, como ocorreu em 2019, greves dos rodoviários por conta do reajuste salarial.

Contaminações

Até então, seis funcionários da empresa Santa Silvana testaram positivo para a Covid-19 - depois disso, os demais passaram por testagens, conforme as normas da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). 

Um óbito foi registrado; o trabalhador era funcionário da mesma empresa. Outros dois casos foram registrados na empresa Conquistadora.

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